Voltar para o blog
Para Donos de Pet

Hipotireoidismo em Cães: Raças, Sintomas e Tratamentos

20 de junho de 20257 min de leitura
hipotireoidismo

Compartilhe

O hipotireoidismo, em cães, ocorre quando a glândula da tireoidenão está produzindo a quantidade suficiente de hormônios, principalmente o T3 e o T4. Essa doença, também comum em humanos, é comum em cachorros, especialmente em cães de raça com pré-disposição à doença, como por exemplo Golden Retriever, Doberman, Pinscher Standard, Terrier Tibetano, Boxer e Malamute do Alasca.

Se você desconfia que seu cão possa estar com hipotireoidismo, leve-o ao veterinário assim que possível. Se não for tratado em tempo hábil, o cão pode entrar em coma mixedematoso – uma emergência que causa hipotermia, pressão baixa e pode ser fatal.

Quais os sintomas de hipotireoidismo em cães?

O hipotireoidismo é um problema hormonal que afeta muitos cães, especialmente de meia-idade a idosos. Ele acontece quando a tireoide, uma glândula localizada no pescoço, produz hormônios em menores quantidades do que o necessário. Esses hormônios são responsáveis por controlar o metabolismo do corpo.

Os sintomas mais comuns são:

Cansaço e apatia

O cão fica mais parado, dorme muito e perde o interesse por brincadeiras e caminhadas.

Ganho de peso sem comer mais

Mesmo comendo a mesma quantidade, o cão engorda com facilidade.

Intolerância ao frio

O pet sente mais frio que o normal e busca lugares quentinhos.

Problemas de pele e pelos

Queda de pelos (principalmente nas laterais do corpo e na cauda), pelos mais secos e quebradiços, pele escura ou com aspecto oleoso, além de infecções de pele frequentes.

Ilustração do artigo: Hipotireoidismo em Cães: Raças, Sintomas e Tratamentos

Alterações neurológicas (mais raras)

Alguns cães podem ter fraqueza nas pernas, andar arrastando as patas ou até apresentar crises convulsivas.

Se o seu cachorro tem vários desses sintomas, o ideal é procurar um veterinário.

Raças com maior risco de Hipotireoidismo

O hipotireoidismo é mais comum em cães de porte médio a grande, mas algumas raças têm predisposição genética à doença.

Ver raças predispostas

Estudos confirmam que essas raças têm risco acima da média, enquanto cães de pequeno porte (como Pug, Bulldog Francês e Yorkshire Terrier) e SRDs (vira-latas) são menos afetados.

Causas do hipotireoidismo em cães

O hipotireoidismo pode ter diferentes causas, mas em mais de 90% dos casos, o problema é da própria glândula tireoide (chamado de hipotireoidismo primário).

As principais causas são:

  • Doença autoimune

O próprio sistema imunológico do cão ataca a tireoide, destruindo suas células.

  • Degeneração da tireoide

A glândula vai diminuindo e perdendo a capacidade de produzir hormônios.

Em casos mais raros, o problema pode vir de outra região do cérebro (hipófise), que é quem “dá o comando” para a tireoide funcionar (hipotireoidismo secundário).

Uma pesquisa destacou que o risco de ter hipotireoidismo em cães aumenta com a idade, com cachorros de 11 a 13 anos tendo 4,54 vezes mais risco de hipotireoidismo versus cães de 5 a 7 anos. Além disso, esse risco cresce quando o peso corporal desses cães aumenta.

Como o veterinário diagnostica o hipotireoidismo?

O diagnóstico é feito com base nos sintomas e em exames de sangue específicos. Os principais exames são:

  • T4 total: Mede a quantidade de hormônio tireoidiano no sangue.
  • TSH: Verifica se o organismo está tentando estimular a tireoide a produzir mais hormônio.
  • T4 livre: Exame mais preciso, usado em casos de dúvida.
  • Anticorpos contra a tireoide: Para saber se a causa é autoimune.

O veterinário também pode pedir exames complementares, como hemograma e perfil de colesterol.

Como tratar o hipotireoidismo em cachorro?

O tratamento é simples e costuma trazer ótimos resultados. Consiste em dar ao cão um hormônio sintético chamado levotiroxina, que substitui o que a tireoide deixou de produzir.

Como é a medicação?

A levotiroxina é dada via oral, geralmente duas vezes ao dia, pelo resto da vida.

Quando aparecem os resultados?

Os primeiros sinais de melhora surgem após 2 a 4 semanas de tratamento. O cão volta a ter energia, o apetite e o humor melhoram, e os pelos começam a crescer de novo em algumas semanas.

O veterinário fará exames de controle regularmente para ajustar a dose e garantir que o tratamento esteja funcionando.

O hipotireoidismo em cães tem cura?

O hipotireoidismo não tem cura definitiva, mas com o tratamento certo, o cão pode ter uma vida completamente normal e saudável. Basta seguir corretamente a medicação e fazer os acompanhamentos veterinários.

Interromper o tratamento pode fazer os sintomas voltarem, então é importante manter o cuidado ao longo da vida.

O que é a Síndrome de Cushing em cachorro? (E como diferenciar do hipotireoidismo)

A Síndrome de Cushing, também chamada de hiperadrenocorticismo, é uma doença hormonal que afeta a produção de cortisol, conhecido como o “hormônio do estresse”. Enquanto o hipotireoidismo acontece por falta de hormônios da tireoide, o Cushing é causado pelo excesso de cortisol no organismo.

Esse excesso pode ocorrer por duas razões principais: a mais comum é um problema na hipófise, uma glândula no cérebro que começa a estimular demais as glândulas adrenais. 

A outra possibilidade, menos frequente, é a presença de um tumor nas próprias adrenais, que faz com que elas produzam cortisol em excesso por conta própria.

Os sintomas do Cushing também afetam o metabolismo e a pele dos cães, mas de forma bem diferente do hipotireoidismo. 

Os cães com Cushing costumam ter muita sede e urinar em grande quantidade, a ponto de, muitas vezes, não conseguirem segurar o xixi. Também é comum o animal ter fome exagerada, ficando obcecado por comida. Outro sinal típico é a barriga inchada e flácida, chamada de abdômen pendular, que acontece por fraqueza muscular e acúmulo de gordura na região abdominal.

Na pele e na pelagem, o cão com Cushing costuma apresentar queda de pelos generalizada, pele mais fina e frágil (facilmente machuca e forma hematomas), além de maior predisposição a infecções de pele. É comum os tutores perceberem que o cão está mais ofegante mesmo em repouso, por conta dos efeitos do cortisol no sistema respiratório.

Por serem doenças hormonais que afetam a pele e o peso, muitas vezes o Cushing e o hipotireoidismo podem ser confundidos. 

Mas, de forma geral, o cão com hipotireoidismo fica lento e ganha peso “sem comer mais”, enquanto o cão com Cushing fica agitado, come muito, bebe muita água e urina muito. Além disso, o abdômen distendido e a pele fina são características mais típicas do Cushing.

O diagnóstico correto só pode ser feito pelo veterinário, através de exames hormonais específicos. 

Por isso, se o seu cão apresenta sintomas como esses, é fundamental procurar ajuda profissional para descobrir a causa exata e iniciar o tratamento adequado.